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O Senhor do Anel

Carla, furiosa:
Filho da puta!

Nicolas, surpreso por ser agredido assim que abriu a porta:
Mas o quê...?

Carla, esbofeteando Nicolas:
Você é um desgraçado, seu porco!

Nicolas, tentado se defender:
Mas o que foi, mulher? O que foi?

Carla, tirando o anel da bolsa e jogando-o em Nicolas:
Foi isso, seu filho da puta!

Nicolas tentando fazer uma piada:
Alguém te disse?

Carla, fingindo ter achado graça:
Ha. Ha. Ha.

Nicolas, pegando o anel do chão:
Eu posso dar uma explicação, se você quiser...

Carla, revoltada:
De que tipo? "Vão-se os dedos, ficam os anéis?". Ninguém dá o mesmo anel para duas esposas, Nicolas, ninguém! Só sendo muito filho da puta mesmo.

Nicolas, respirando fundo:
Eu já tentei explicar várias vezes que pra mim o amor...

Carla, interrompendo:
Amor é o cacete, isso é falta de respeito! Eu te odeio, seu desgraçado. ODEIO!

Nicolas, tentando acalmá-la com uma carícia:
Carla, me deixa falar. É só o seguinte: pra mim, o amor é um só.

Carla, afastando o toque dele:
Ha! "O amor é um só". Que ridículo. Quer dizer que você ainda ama aquela cadela?

Nicolas, respirando fundo:
Em primeiro lugar, acalme-se. Não quero você ofendendo a Cécilia. Ela é a mãe do Louisinho.

Carla, bufando:
Pfff, grandes merda.

Nicolas, prosseguindo em sua argumentação:
Em segundo lugar, eu não a amo mais. Só que eu senti por ela, no passado, o maior amor do mundo, e por isso dei a ela o anel mais lindo do mundo. E agora eu sinto por você o mesmo amor, e passei pra você o mesmo anel, o insuperável.

Carla, indignada:
Então é REALMENTE o mesmo anel?

Nicolas, racionalizando:
Evidentemente, Carla. Não há cópias. Ele é único, como o meu amor.

Carla, recusando-se a aceitar o anel de volta que Nicolas lhe oferece:
Isso não é amor. Isso é muita falta de respeito.

Nicolas, filosofando:
Não me parece ser uma falta de respeito desde que haja sinceridade entre o casal.

Carla, aos berros:
SINCERIDADE? VOCÊ NÃO ME DISSE NADA ANTES, SEU PORCO!

Nicolas, tentando se justificar:
Bom, omissão também não é mentira...

Carla, inconformada:
Eu não estou ouvindo isso. É o fim da picada.

Nicolas, sem palavras:
Carla...

Carla, quase chorando:
Eu preferiria que você me dissesse que é outro anel, sabe?

Nicolas, surpreendido:
Como assim, você prefere uma mentira?

Carla, chorando:
Eu prefiro me sentir especial, única.

Nicolas, advogando em causa própria:
Você é única, é claro! Mas também é o amor. O amor, entende, o verdadeiro amor, não pode haver mais de um. Esta é a lei da natureza.

Carla, impaciente:
Corta esse seu lero-lero de advogado. Lei da natureza é o cacete. VOCÊ ME DEU O ANEL DA SUA EX, SEU MALDITO!

Nicolas, reiniciando sua argumentação:
Carla, estou tentando explicar. O amor é um só. Eu amo meus amigos, meus pais, minha namorada e todos aqueles que me são queridos. Eis o amor!

Carla, debochando:
Quer dizer que você ama a mim e à sua mãe da mesma forma?

Nicolas, seguro de si:
Sim.

Carla, vingativa:
Você é um doente mesmo. UM DOENTE.

Nicolas, levemente ofendido:
Carla, pode parar com a agressividade.

Carla, sem parar com a agressividade:
Você é no fundo igual à sua mãe, aquela judia. Ela que te ensinou a poupar no anel, não foi? Isso é que é amor? Um mesmo anel para todas? Um só amor? Que mão-de-vaca.

Nicolas, tentando mudar de assunto:
Você quer que eu também ofenda seus antepassados? Eles não eram muito simpáticos aos judeus, chérie.

Carla, aos berros novamente:
NÃO MUDE DE ASSUNTO!

Nicolas, com o rabo entre as pernas:
Eu só estou querendo me justificar...

Carla, sem perder o fôlego:
E EU SÓ ESTOU QUERENDO QUE VOCÊ ME AME DE MANEIRA ESPECIAL!

Nicolas, vagamente:
Carla...o amor é...

Carla, segurando o choro e tentando falar com calma:
Nicolas, cale-se. O MEU amor é único. Não porque ele seja o mesmo para todos, mas porque o que eu sinto por você eu não sinto nem nunca senti por ninguém. Isso é que é o amor. Ele é especial. Lembra que te fiz essa música...

Nicolas, obnubilado:
Carla...

Carla, cantando:
Tu es ma came
Plus mortelle que l'heroïne afghane
Plus mortelle que la blanche colombienne
Tu es ma solution à mon doux probléme

Nicolas, olhando ao redor de si:
Carla, psiu! Pare com isso agora! Já te pedi para nunca mais cantar essa música!

Carla, frustrada:
Você não é minimamente romântico. Não sei como posso te amar.

Nicolas, repreendendo-a:
Não se trata de falta de romance, você sabe muito bem. Você é a primeira dama deste país, não pode cantar aos quatro ventos músicas sobre drogas, muito menos me comparar com elas!

Carla, sarcasticamente:
Pardonnez-moi, monsieur Sarkozy.

Nicolas, ainda sério:
Não se esqueça, bambina, de seus deveres com seu novo país. Temos nos manter unidos perante a França, e não ficar nos dividindo por notícias de tablóide. Não faça com a França o que você fez com o casamento do Mick Jagger.

Carla, putíssima:
Mon chéri, já te disse milhões de vezes que a culpa da separação dele foi o petit enfant brésilien que ele teve com a Gimenez. Que agressividade é essa agora?

Nicolas, tentando se legitimar:
Bom, sabemos que você tem um histórico. Como quando você teve um caso com aquele Raphaël e fez ele se divorciar da Justine Lévy. Ela é filha do Bernard-Henri, um dos meus filósofos favoritos, meu Deus. Você não podia ter feito isso comigo.

Carla, irritada:
Nicolas, eu não fiz isso com você. Nós nem nos conhecíamos! Não me julgue pelo meu passado, d'accord? Além do mais, você adora nosso petit Aurélien. A própria Justine acabou dizendo que não foi nada sério.

Nicolas, convencido de estar com a razão:
Cristo, Carla, ELA ESCREVEU UM LIVRO COM ESSE NOME - "NADA SÉRIO". Ela desce a lenha em você!

Carla, surpresa:
Oui? Non li.

Nicolas, prosseguindo:
Ela disse que você é um gafanhoto com o sorriso do exterminador do futuro.

Carla, achando graça:
Não diga. Então é isso o que você pensa de mim? Só porque ela é filha do seu filósofo favorito?

Nicolas, cansado:
Não, Carla, não é isso...

Carla, fazendo tipo:
E o que é então?

Nicolas, entregue:
Eu... eu te amo.

Carla, cética:
Igual a todo mundo? A Cécilia, à sua mãe?

Nicolas, vendido:
Não... de maneira... especial. Não se esqueça que eu te dei o anel no Egito, no Natal... isso eu não tinha feito por ninguém ainda.

Carla, exasperada e conformando-se:
Tudo bem, Nicolas. Mas eu quero um anel só pra mim.

Nicolas, desistindo:
D'accord. Que tal um de plástico, que venha com um doce de bomboniere? Isso eu nunca dei a ninguém.

Carla, zombeteira:
Mas é um filho de judia mesmo...

Nicolas, fazendo-se de ofendido:
Carla!...

Carla, aproximando-se dele carinhosamente:
Très bien, mon amour. Por ora, vou seguir adiante como se nada tivesse acontecido. Tentando acreditar sempre que você me amará de maneira especial. Parce que
Je suis l'amoreuse
Je suis ton amoreuse
Et je chante pour toi seule de toutes les choses
Qui vaille d'ête là qui vaille d'être là...



Por Thiago F. * 17:39 * terça-feira, 16 de setembro de 2008